segunda-feira, 19 de novembro de 2007

I - O início do fim

A noite poderia ser confundida com esta, eu curtia o entardecer mascando o meu chiclete, pois é, estava longe do meu vício, a fumaça não mais invadia os meus pulmões, na língua somente o gosto da menta e do último gole de gim. De um terraço da construção abandonada o sol se escondia e mais uma noite se aproximava, aquele lugar ficava assustador a noite, rezava a lenda que as mais temíveis criaturas ali habitavam, mas para mim a única coisa a temer era aquele cheiro horrível de podre que vinha de algum dos cômodos. Não me lembro quanto tempo fiquei ali já que era mera rotina, mas minha alma só descansava ao sentir aquele cheiro. Pode-se dizer que eu vivia como os ratos, estes bem que me entendiam, ora eu tinha uma casa, eu tinha uma profissão, pelo que me consta o ofício de roubar e matar eram bem disputados, eu era o orgulho do papai, ele o mafioso mais conhecido desta maldita cidade, o assassino mais impiedoso me ensinou tudo que eu sei, a arte da morte, o homem mais cruel que eu já havia conhecido estava morto, morto como um queijo suíço, quanto a mim tive que assumir seu império de maldade.
Aquela noite eu precisa visitar um cliente revoltado, agora que o carregamento de "felicidade" já havia sido entregue ele alegava que o preço deveria ser baixado. A felicidade era a droga mais procurada do momento, num mundo onde tudo parecia triste a "felicidade" era a salvação, confesso que fiz uso dela algumas vezes. A noite já invadia aquele lugar imundo quando meu celular tocou, já estava na hora do batente, os meus capangas já me esperavam no local marcado, entramos no carro e partimos. Meu brinquedinho já estava seguro em minha cintura, mas esperava que o comprador não me desse problemas, não estava com paciência para chorumelas. A boate O paraíso era o lugar mais movimentado da cidade , lá a "felicidade" era liberada, o lugar já estava lotado. Passei junto aos meus "ajudantes" com a minha presença logo sendo notada, desci a longa escada para o porão e entrei só. Ele já estava a minha espera, sentado no sofá com duas mulheres em seu colo, quando me viu chegar as dispensou, ofereceu-me um drink e pus a me sentar, já sabia a ladainha que estava por vir.
--Então você acha que eu deveria baixar os meus preços?
-- O que você tem que entender é que o seu produto está sendo supervalorizado.
Ele parecia calmo, mas algo me dizia que aquele assunto não iria ser tão amigável como parecia.
-- E você gostaria que eu baixasse os meus preços porque os negócios vão mal?
-- Não exatamente, as encomendas tem feito a clientela aumentar consideravelmente.
-- Eu poderia dizer que foi além de consideravelmente, sendo que a minha "felicidade" fez este lugar realmente ser o paraíso e sei que você vai concordar que comprá-la fora daqui despertaria atenção desnecessária para este lugar.
-- Concordo, mas eu acho que considerando os meus serviços fiéis você poderia considerar um desconto.
-- Você é um cliente muito fiel e eu considerei isso quando dei o desconto há quase dois meses.
Aos poucos sentia a calma esvair, aquele homem era realmente um mesquinho irritante. Tive que manter o sorriso já irônico, acendi um charuto e ofereri, já não fumava mas o carregava sempre comigo, já o conhecia ele não recusava um dos meus charutos especiais.
-- Eu sei que eu já havia pedido um desconto mas você precisa compreender que o preço esta alto.
-- Meu bom amigo, a "felicidade" custa caro e que fique bem claro que eu não irei baixar os preços desta vez.
-- Então eu serei obrigado a não depositar o seu pagamento.
-- Isso vai ser difícil, pois pelo que pude perceber o carregamento que você recebeu já foi distribuído estão todos muito felizes lá em cima, como você pretende devolver o que já foi usado?
-- Eu não disse que iria devolver.
-- Olha você me parece um cara sensato, você não esta muito afim de arrumar confusão, vejo isso em você, então eu realmente espero que  reconsidere e pague o preço correto pelo carregamento.
-- Não acho que isso será possível.
Foi o que eu pensava, confusão, em um movimento brusco ele já estava empunhando sua arma, odeio pessoas hostis, sempre me tiram a paciência.
-- Acho melhor você sair da minha boate.
Levantei-me calmamente e me virei de costas, nunca dê as costas para o seu inimigo a não ser que o idiota tenha construído o próprio porão com espelhos, é aquele deveria ser o seu motel particular. Ainda de costas o observava pelos espelhos, ele parecia bem contente consigo mesmo, tolo homem, nunca subestime o poder de uma tragada e um gole de uma bebida, o vício era maior, a vontade de tragar as vezes desvia a atenção de coisas mais importantes.
Vi pelo espelho a tragada vitoriosa, pobre coitado nem viu quando a bala atravessou a sua testa, o corpo encontrou o chão e eu encontrei a porta de saída, os seguranças dele tinham sido impedidos de participar da reunião assim como os meus, vi os gigantes passarem correndo por mim e descobrirem o presunto no chão. Subi as escadas tranquilamente aqueles musculosos sem cérebro não ousariam comprar uma briga comigo ou com os meus capangas, a boate estava bem animada as pessoas pareciam realmente felizes, fui até o bar e pedi um blood mary minha bebida favorita, curti algumas músicas, ainda tinha mais alguns compromissos entre eles uma visita costumeira ao chefe de polícia, coisas de rotina.
Mais uma madrugada de trabalhos pesados, tudo ia bem como sempre dispensva meus armários depois das três da manhã apesar de saber que alguns deles ainda ficavam de olho em mim, o curioso é que eles me seguiam desde a adolescência e eu ainda me dava o trabalho de às vezes fugir para despistá-los, curiosidades da vida, hoje eles trabalham pra mim e tudo que preciso fazer é dispensá-los e assim o fiz. Queria ver a noite como de costume, sempre iguais, mas um tanto diferente. Passeava por um beco escuro aparentemente vazio, o único som que se conseguia ouvir era o som dos meus passos e o da bola de chiclete que eu estourava uma vez ou outra. Encostei- me à parede para relaxar, o lugar não era dos mais limpos, mas eu não ligava, a noite de outono era fria mas meu sobretudo velho e surrado dava conta do recado, quem sabe se alguém passasse por ali e se compadecesse da minha dor, poderia talvez ganhar um trocado. Minhas roupas não eram as das mais chiques o sobretudo de couro surrado, a bota gasta as minhas calças pareciam sujas mas eu ainda estava um charme. Carregava comigo a mary e o charlie meus inseparáveis companheiros, um abrigava a vodka o outro wisky. Estava aproveitando cada parte de Mary, ela invadia meu corpo e acalmava minha alma, a escuridão me acalmava. Eram rara as vezes que aparecia em casa, a mansão deixada por meu pai era tão vazia quanto Mary naquele momento, podia vê-lo naquele lugar, seu fantasma, seu eu desesperado por perder a vida e todos os poderes que dela usufruía. Aquela assombração tornava a casa ainda mais fria, aquilo não me assustava, mas sabia o que ele esperava de mim e me irritava o peso da herança, o dinheiro pouco me importava, mas toda noite naquele lugar eu ouvia ele dizer que eu tinha que honrar seu nome e tocar seu legado. "Ainda derrubo aquele lugar". Estava pronta para a "felicidade" risquei um fósforo quando derrepente um vento forte o apagou, já ia riscar outro quando a vi surgir na minha direção, uma figura estranhamente linda, tinhas os cabelos vermelhos como o blood mary que eu havia tomado, os olhos castanhos e a pele clara como a lua que estava escondida naquela noite. Ela se aproximou de mim suavemente, não estranhei, aquilo me pareceu normal, uma estanha no beco a noite, é parecia normal. Eu ainda saboreava o charlie quando ela encostou ao meu lado, brincava com os cabelos longos e lisos, usava uma roupa parecida com a minha, mas se via de longe sua sofisticação, sofisticação que meu paium dia brigou para que eu possuísse.
Ela parecia me conhecer, ofereceu-me o chiclete tradicional que eu costumava mascar, relutante eu aceitei, olhava para os seus olhos misteriosamente sedutores.
--Você não sabe quem eu sou, mas eu conheço você Britany.
O jeito que meu nome soou naquela voz fez meu corpo estremecer, poucos conheciam meu nome, era conhecida pelo sobrenome da familia mascate. Tive que esconder minha identidade até conseguir o respeito que hoje possuía. A única filha de uma geração de Mascates, geração sangue azul da mafia Londrina. Tive um irmão, tolo morreu jovem. Não passava de um rebelde medroso, eu havia nascido com o genes da destruição honrava o nome da familia, mas no fundo pouco me importava estava lá pela diversão e o espectro de meu pai sabia.
-- Noite após noite eu percebi você, sei o que você faz, sei que só se sente feliz quando está com os ratos naquele lugar imundo ou que se sente realizada quando o sangue da sua vítima é esparramado ao chão, você é uma assassina e é boa nisso. Eu sabia o que ela estava dizendo, poderia desmenti-la, mas forças para isso eu já não possuía.
-- Eu vim aqui porque você me interessa, você possuí um dom que eu aprecio muito, a gana pela noite, a gana pela morte, sei que você arrisca sua vida toda noite dispensando seus capangas apesar de saber que cada canto desta cidade esconde um inimigo seu.
Por um momento pensei em retrucar, deturpar a verdade que ela exclamava, porém tudo o que podia pensar era quem ela era e qual era o seu nome, mas não podia perguntar não queria que as minhas palavras destruíssem o doce hipnotismo que aquela voz me causava.
-- Meu nome? Isso é fácil me chamo Cambridge, passaremos as perguntas mais dificeis.
Naquele momento eu senti meu corpo todo arrepiar, como ela sabia, desde o primeiro momento senti-a invadir minhas emoções e não me estranhou que ela pudesse realmente ler os meus pensamentos.
-- Vamos dar uma volta e eu creio que algumas coisas irão ser esclarecidas.
Eu não pude evitar segui-la, a presença dela já era inevitável mais que isso já se tornara essencial. (...)

2 comentários:

Lu Oliveira disse...

PAREI NESTE PONTO......OK???
"""pobre coitado nem viu quando a bala atravessou a sua testa, o corpo encontrou o chão e eu encontrei a porta de saída, """
AMANHÃ CONTINUO A LEITURA...ASSIM N ME PERCO..CARA TA MUITO, DARK ANGEL..RS*SHOWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWW..UHUHUHU..

LIAH.

Lu Oliveira disse...

kkkkkkkkkk....Lembro do momento que li seu blog pela 1ª vez....cara, é muito mágico reviver certas coisas....é perfeito qnd o que fica é o q de melhor aconteceu.....a leitura me proporciona tudo isso, tudo isso...q eu nem consigo expressar com exatidão em singelas e limitadas palavras....

Vou ler até o fim...prometo...ah!!! correção urgente, né?????????????? é preguiça??? texto de 2007......agora vc é letrada...trata de corrigir , hein???

Darkangel, bessos em tu core...